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Família reunida em torno do empreendedorismo materno

Empreendedorismo Materno - Mães empreendedoras

Se algumas mulheres abrem mão de suas carreiras profissionais para se dedicarem exclusivamente aos filhos e ao lar, outras tantas preferem manter a dupla jornada e conciliam o trabalho e a maternidade. A tarefa é árdua e muitas vezes acaba batendo um sentimento de culpa por não estar perto dos filhos. Por isso, há ainda um outro grupo de mães: aquelas que deixam o emprego para abrir o próprio negócio e, com isso reunir ainda mais a família.

Caso de Zizi Zanardini, de 35 anos, que é mãe de sete filhos — Gabriel, Gustavo, Giullia, Ingrid, Clara, Francisco e Miguel. O mais velho, Gabriel, tem 20 anos, enquanto o mais novo, Miguel, tem um ano de vida.

Até os 28 anos, Zizi trabalhava como administradora em uma franquia, em uma escola de inglês e em uma empresa de materiais didáticos. Foi quando desistiu abandonar o mercado formal para se dedicar mais aos quatro filhos que já estavam na pré-adolescência. Logo, porém, descobriu que além da vocação para ser mãe, também tinha vocação para o empreendedorismo.

Quando eu desisti do meu trabalho formal para ficar mais presente junto dos meus filhos, fiz um plano de negócios de um café. Quando eu e meu marido (Daniel Snege) decidimos trazer a Yatna, nossa marca de roupas, para um dos três terrenos que tínhamos, um espaço grande, surgiu a possibilidade de também fazer o café, conta.

Hoje, a Vila Zanardini abriga o Café Snege, o contêiner da Yatna e um espaço infantil lúdico. É um lugar curioso, já que não é restaurante, não é chácara, não é clube, mas é um pouco disso tudo.

Do salão eu consigo enxergar os meus filhos no jardim, e em alguns momentos eles também me ajudam. O mais velho, por exemplo, é quem faz o meu sistema operacional, o irmão dele que está cursando engenharia é auxiliar de cozinha e a menina de 17 anos me ajuda a cuidar dos outros. Então a família inteira acaba fazendo parte, e para mim é importante eles me verem trabalhando desde pequenos. Eu acho que só educamos pelo exemplo, finaliza.

As vezes é cansativo (empreender), dá vontade de parar tudo, mas o segredo é amor

Michelli Reblin Bach
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Amor

Mas afinal, qual é o segredo para conseguir conciliar as tarefas inerentes de ser mãe e ainda tocar o próprio negócio, principalmente em um país como o Brasil, onde os empreendedores precisam superar diversas barreiras? Para Michelli Reblin Bach, mãe do Arthur, de sete anos, e da Sofia, de oito, e Renata Baudisch, mãe da Gabriela, de quatro, a resposta é o amor.
“Para mim é fácil ser mãe. Tem as dificuldades do tempo, mas eu amo meus filhos, então para mim é fácil ser mãe. No trabalho, é a mesma coisa. A maior dificuldade é encontrar uma coisa pela qual você sinta amor, o que faz toda a diferença “, afirma Michelli, que também é proprietária da Mamãe Retrô. “As vezes é cansativo (empreender), dá vontade de parar tudo, mas o segredo é amor”. “Não sendo clichê, mas acho que é amor. Quando acordo eu falo ‘será que vai dar certo?’, mas daí eu penso ‘não, eu tenho a Gabi, tenho de continuar’. E hoje o meu negócio também é um filho para mim”, complementa Renata, proprietária da Sapatilha Colorida.

Enquanto ainda estava grávida do primeiro filho, Michelli se formou em Artes. Durante muito tempo, porém, trabalhou no setor administrativo de algumas empresas. No final de 2013, porém, sua vida virou de cabeça para baixo graças a um momento de inspiração e uma feira promovida pela Maternarum, uma ONG que desenvolve uma grande REDE Colaborativa de Mães.

“O Mamãe Retrô já estava na minha cabeça há pelo menos dois anos e aí tive um incentivo de uma feira da Maternarum e um surto de inspiração. Meu marido, que é designer, me ajudou a criar a fan page, a logo, e logo comecei a trabalhar numa linha de produtos, eu já vinha pesquisando há muito tempo. A ideia era criar brinquedos de apego para crianças, uma coisa de experiência”, conta.

O negócio acabou dando certo. Logo depois da feira começaram a chover encomendas. Agora, ela pretende formalizar a empresa, que a permite estar perto dos filhos, que são os “testadores” dos produtos feitos pela mãe. “Eles me inspiram e ainda fazem o test drive de tudo o que eu faço. Até brinco com as clientes que elas podem ficar tranquilas que o primeiro protótipo já foi testado”.

Já no caso de Renata, a filha Gabriela, a empresa acabou surgindo quase que por acaso. Antes de engravidar, ela, que é formada em Turismo e possui pós-graduação em Gastronomia e Administração, atuou dando aulas e consultoria para bares e restaurantes. Após o nascimento da filha, que possui múltiplas alegrias alimentares (não pode ingerir alimentos com trigo, soja e leite), decidiu parar de trabalhar e, quando a Gabriela já tinha dois anos, decidiu iniciar um negócio.
“Eu ia investir em de alimentos especiais para crianças alérgicas, daí um dia viajei com o meu ex-marido e nós paramos em uma cidadezinha de Goiás após o carro estragar. Lá conheci um senhor que fazia sapatos em casa e achei aquilo fantástico, nunca tinha imaginado”.

Para conseguir fazer algum dinheiro e ter verba para iniciar seu negócio de alimentos hipoalergênicos, ela comprou 100 sapatos para revendê-los em Curitiba. Em três dias, já havia vendido todo o estoque e novas encomendas não paravam de chegar, tanto que pouco depois vieram mais 200 pares. Hoje, ela já trabalha com três fábricas familiares e o negócio não para de crescer. E a filha sempre esteve do lado.

“A sapatilha começou com a Gabriela, por causa dela. Como ela só começou a ir para a escola neste ano, participou disso tudo. Ela é minha inspiração”, afirma a mãe, que dedica todas as manhãs à filha – por isso, inclusive, só pôde atender nossa equipe de reportagem no período da tarde. “Desde o momento em que acordamos até as 13 horas eu sou exclusiva da Gabi. Ela não deixa eu nem atender o telefone. Daí depois venho para a empresa, em seis horas cuido do que tenho de cuidar dos negócios e às 19 horas busco ela e daí volto a ser mãe de novo”, brinca.

Fac-símile da publicação original em Bem Paraná | 07/05/2015 às 22:00

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